Por Rodrigo Viga Gaier
RIO DE JANEIRO (Reuters) - A taxa mensal de desemprego no
país caiu pela terceira vez consecutiva, atingindo em maio o
menor patamar desde dezembro de 2007, mas o rendimento dos
empregados também recuou, informou o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.
A taxa de desocupação no país atingiu 7,9 por cento no mês
passado, a segunda menor taxa já apurada pelo IBGE, de acordo
com a série histórica iniciada em 2002. O resultado só não foi
menor do que o apurado em dezembro do ano passado, quando a
desocupação estava em 7,4 por cento.
"Essa foi a primeira queda real, expressiva e significativa
da taxa esse ano. É um sinal muito positivo do mercado de
trabalho", afrimou Cimar Pereira, economista do IBGE.
O resultado foi bem melhor do que o esperado por analistas.
De acordo com levantamento feito pela Reuters, a expectativa
era de uma taxa de desemprego de 8,4 por cento em maio, ante a
taxa de 8,5 por cento de abril.
RENDA MENOR
Apesar do tom positivo, a renda dos trabalhadores caiu 1,0
por cento entre abril e maio, efeito do avanço da inflação no
país, segundo avaliou o economista do IBGE.
"Esse resultado deixou uma pulga atrás da orelha. Temos que
aguardar junho e julho para ver como vai ficar esse impacto da
inflação sobre o rendimento do trabalhador".
O rendimento médio real dos empregados ficou em 1.208,20
reais em maio. Na comparação anual, entretanto, houve um
aumento de 1,5 por cento.
As regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro
foram as principais responsáveis pela queda da taxa global de
desemprego. As duas regiões metropolitanas apresentaram as
menores taxas para meses de maio desde o início da série.
"São Paulo é o termômetro da pesquisa porque reune 40 por
cento da população ocupada brasileira", disse Cimar Pereira.
O mercado de trabalho também teve um ganho qualitativo com
o aumento do trabalho formal. O emprego com carteira cresceu
1,6 por cento entre abril e maio, mas caiu 0,9 por cento ante
maio de 2007, o que para o IBGE representa uma estabilidade.
(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; Texto de Renato Andrade;
edição de Cláudia Pires)