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| Lobão: Aneel vai limitar mudanças em projetos hidrelétricos |
| Sex, 25 Jul, 12h07 |
RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ministro de Minas e Energia,
Edison Lobão, informou que a Agência Nacional de Energia
Elétrica (Aneel) pretende criar um limite para alterações na
localização de projetos hidrelétricos, a fim de evitar disputas
como a que envolve no momento a usina de Jirau, no rio Madeira,
em Rondônia. "Às vezes um projeto técnico exige isso (alteração) para
otimizar o processo do projeto, não se quer limitar a
circunscrever o eixo (localização) àquele local rigorosamente
exato, mas deve haver um limite", disse Lobão a jornalistas em
evento no Teatro Municipal, no Rio de Janeiro, nesta
sexta-feira. A hidrelétrica de Jirau se tornou o centro de uma disputa
entre os consórcio perdedor, liderado por Furnas e Odebrecht, e
o vencedor, liderado pela Suez Energy, por causa de alterações
feitas na localização da usina que a deixou 9 quilômetros
distante do projeto original. O ministro lembrou que o próprio consórcio Furnas e
Odebrecht alterou a localização da usina de Santo Antônio, no
mesmo local, em aproximadamente 250 metros. "O próprio consórcio perdedor do segundo leilão, que é o
vencedor do primeiro, da usina de Santo Antonio, mudou o eixo
de Santo Antônio..pouco, mas mudou", disse o ministro. As duas usinas formam o complexo hidrelétrico do rio
Madeira e terão capacidade para gerar 6.450 megawatts a partir
de 2012/2013. Segundo ele, a orientação do governo é de que haja um
entendimento entre os dois consórcios sobre a localização. Ele
afirmou que não vê motivo para uma briga judicial. De acordo com Lobão, o projeto está sendo analisado pelo
Ibama e, se a Aneel e o Ibama não aprovarem a alteração no eixo
feito pela Suez, o consórcio terá duas alternativas: ou
constrói dentro do projeto original ou desiste da obra, pagando
uma multa "pesada", segundo ele. "Se (o consórcio da Suez) desistir, o projeto ficaria com o
segundo (consórcio Furnas/Odebrecht), ou anularíamos o leilão,
mas não cogitamos isso no ministério", disse. Ele prevê que o contrato para construção de Jirau será
assinado em agosto com a Suez. VOLTANDO ATRÁS Segundo Lobão, a decisão de subsidiárias da Eletrobrás
--Furnas, Eletronorte, Eletrosul e Chesf-- não participarem
mais separadas em licitações por hidrelétricas, e sim via
holding, anunciada há alguns meses pelo presidente da
Eletrobrás, José Muniz Lopes, foi revista. Ele disse que a disputa pode acontecer inclusive na
licitação da usina de Belo Monte, no rio Xingu, prevista para o
primeiro semestre do ano que vem. "Foi uma declaração do Muniz, mas depois ele próprio deve
ter chegado à conclusão que isso não é suficiente...se a
Eletrobrás participasse sozinha e ganhasse o leilão, o que iam
dizer? Que houve proteção", afirmou o ministro. Ele disse ainda que as condições impostas pelo ministro do
Meio Ambiente, Carlos Minc, para a construção de Angra 3 não
inviabilizam o projeto e devem ser superadas pela
Eletronuclear, subsidiária da Eletrobrás que fará a obra. Minc, contrário à energia nuclear, concedeu esta semana
licença prévia para o projeto que vai acrescentar 1.350
megawatts ao sistema elétrico brasileiro, mas fez 60
exigências. A mais grave delas é a necessidade da Eletronuclear
encontrar uma solução definitiva para os rejeitos nucleares,
assunto que ainda está sendo pesquisado no mundo inteiro. "O ministro Minc está fazendo exigências brutais e nós
estamos fazendo um esforço bestial para atender as exigências",
afirmou Lobão. "...o lixo tóxico é muito importante, mas terá que ser
resolvido a seu tempo...essa é uma questão que não é tão
fundamental para deixar a térmica parada", disse o ministro,
reafirmando que as obras começarão em setembro. (Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; Edição de Denise
Luna)
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