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| Após Agrenco, CVM e Bovespa querem aperto na regulação par BDR |
| Sex, 25 Jul, 17h16 |
SÃO PAULO (Reuters) - Um mês depois de a Polícia Federal
ter prendido executivos da Agrenco, sob a acusação de crimes
contra o sistema financeiro, órgãos reguladores do mercado de
capitais anunciaram nesta sexta-feira que vão apertar o rigor
nas regras para empresas que quiserem listar recibos de ações
na Bolsa de Valores de São Paulo. O objetivo é evitar que empresas que operam no Brasil ou
controladas majoritariamente por residentes no país constituam
a sede em paraísos fiscais e se listem na bolsa paulista na
condição de estrangeiras, o que as livraria de obedecer a
regras mais rígidas de transparência e respeito a acionistas
minoritários. De um lado, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
pretende aprovar uma medida que proíbe companhias controladas
por brasileiros ou que tenham mais de metade dos ativos no país
de usar esse mecanismo. "Temos que aperfeiçoar continuamente o aparato regulatório
do mercado de capitais", disse a jornalistas a presidente da
autarquia, Maria Helena Santana. De outro, a BM&F Bovespa deve lançar em breve um segmento
específico de listagem para BDRs, com regras semelhantes às do
Novo Mercado, segmento de listagem opcional que exige das
empresas listadas o compromisso de obediência a duros padrões
de boa conduta corporativa. "Entre outras coisas, o segmento vai implicar na concessão
de direitos iguais entre acionistas controladores e
minoritários e o uso de uma câmara de arbitragem para resolver
conflitos societários", disse Edemir Pinto,
presidente-executivo da BM&F Bovespa, durante cerimônia que
comemorou a adesão de 100 empresas ao Novo Mercado. Nos últimos dois anos, sete empresas emitiram BDRs na
Bovespa. Destas, pelo menos cinco atuam majoritariamente no
Brasil. O mecanismo de constituir sede no exterior, especialmente
em paraísos fiscais em que as exigências societárias são bem
mais flexíveis, com menor rigor por transparência e direitos
privilegiados para controladores, tem sido bastante criticado
por especialistas em governança corporativa. A crítica cresceu com o episódio da Agrenco, trading que
atua no setor de agronegócio, que teve três executivos presos
acusados, entre outras coisas, de terem violado balanços da
companhia em proveito próprio. Em discurso, Maria Helena rebateu críticas de que o
desrespeito às boas práticas devam-se exclusivamente a falhas
no aparato regulatório ou de fiscalização da CVM. Ela cobrou um
reforço no aparato de auto-regulação por parte de entidades do
mercado, como Anbid, Ibri, Abrasca, Ibracon e a própria
Bovespa. "Todos deveriam reunir os seus sócios e discutir formas de
aperfeiçoar as regras", afirmou. Ela negou, entretanto, que os episódios recentes
prejudiquem o cronograma do acordo que a CVM assinou com a
Anbid, pelo qual parte do processo de aprovação dos pedidos de
registro para ofertas passe da autarquia para a entidade. (Reportagem de Aluísio Alves)
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