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| Amil vê perda de clientes da Medial, mas melhora de margens |
| Seg, 23 Nov, 07h22 |
Por Cesar Bianconi SÃO PAULO, 23 de novembro (Reuters) - A Amil antevê perda de 5 a 10 por cento da carteira de clientes da Medial, devido ao reajuste de preços que promoverá em algumas carteiras da empresa de planos de saúde que está comprando por 1,2 bilhão de reais. Embora isso represente uma queda na receita do grupo, acabará por ter influência positiva sobre as margens de lucro, já que a iniciativa será concentrada em carteiras de clientes deficitárias da Medial, afirmou nesta segunda-feira o presidente da Amil, Edson de Godoy Bueno. Na última quinta-feira, a Amil anunciou a compra de 51,9 por cento da Medial por 612,5 milhões de reais. A empresa fará uma oferta pública de aquisição (OPA) das ações da Medial em circulação no mercado. "Sabemos que atualmente os indicadores financeiros e operacionais da Medial estão aquém dos da Amil. Uma das nossas metas é convergir as margens da Medial para aquilo que conseguimos em nosso negócio", disse o executivo a analistas. A Amil teve margem Ebitda --sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação-- de 6,9 por cento no terceiro trimestre. Já a Medial registrou margem Ebitda negativa de quase 9 por cento no mesmo período. A Amil trabalhará para conseguir já no quarto trimestre deste ano levar a Medial a uma margem zero. Após sinergias, o Ebitda anual da Medial deverá atingir 165 milhões de reais em 2011, pelos cálculos da Amil, com margem entre 7 e 8 por cento. Em 2012, a margem Ebitda poderá chegar a 10 por cento. A melhora do resultado da Medial virá também do aumento do poder de compra da empresa resultante da união com a Amil. Segundo Godoy Bueno, a Amil espera reduzir em pelo menos 10 por cento as despesas com compras em hospitais. Além disso, ele mencionou economias expressivas que virão nos canais de distribuição e marketing. As ações da Amil disparavam 4,94 por cento, a 13,80 reais, às 13h19. As da Medial, que dispararam na quinta-feira após o anúncio do negócio, mostravam queda de 0,55 por cento, a 16,30 reais. MERCADO FRAGMENTADO Com a Medial, a Amil praticamente dobra sua presença no Estado de São Paulo, saltando de market share de 7,9 para 15,1 por cento. "Mesmo com essa união, nosso mercado continua bastante fragmentado... Continuamos atentos a todas as oportunidades que possam representar valor", afirmou o presidente da Amil. "Queremos estar confortáveis e preparados para novas aquisições." O pagamento aos controladores da Medial será feito com recursos em caixa. Para a compra das ações dos minoritários, a Amil fará um empréstimo-ponte de cerca de 700 milhões de reais. De acordo com o diretor de Relações com Investidores da Amil, Erwin Kleuser, a dívida bancária de curto prazo tem por objetivo dar tempo à empresa para analisar as opções do mercado, como a emissão de debêntures ou até de novas ações pela companhia. "Vai depender das condições e do custo da operação", disse. A Amil encaminhará nesta segunda-feira pedido de autorização prévia da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para a compra da Medial. A expectativa de executivos da empresa é que o aval seja dado na semana que vem. A partir daí, a Amil iniciará os procedimentos para a realização da OPA pelas ações da Medial nas mãos dos minoritários.
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