O dólar abriu em baixa na Bolsa de Mercadorias & Futuros e deve permanecer em rota de queda no mercado doméstico de câmbio hoje. O movimento é favorecido pelas oportunidades de arbitragem (ganho com o diferença de juros no Brasil e no exterior), pela retomada das captações de recursos pelas empresas e bancos no exterior, pela volta dos exportadores e ainda alimentado pelos rumores de uma iminente elevação do País para grau de investimento pela agência de classificação de risco de crédito Fitch.No contrato de liquidação à vista negociado na BM&F, o dólar começou a sexta-feira valendo R$ 1,648, o que representa um recuo de 0,39% em relação à taxa negociada ontem no encerramento da sessão. Cotado hoje de manhã a R$ 1,648, o dólar volta ao nível mais baixo desde 2 de maio, o primeiro pregão após a agência de classificação de risco Standard & Poor's ter elevado o País a grau de investimento. A renovação do recorde de alta do petróleo no exterior favorece a queda do dólar no mercado internacional e reforça a mesma tendência aqui.
A informação do secretário do Tesouro Nacional, Paulo Valle, no fim da tarde de ontem, de que o Tesouro poderá retomar a emissão de títulos para captar recursos no exterior, com o Bonis Global 2037 (vencimento no ano 2037), dependendo das condições do mercado e da necessidade de liquidez dos títulos públicos brasileiros, também ajudou na aceleração da baixa do dólar nos contratos futuros na sessão eletrônica da BM&F.
De qualquer maneira, como disse um operador esta manhã, o mercado de câmbio manterá "um olho no gato e o outro no peixe", referindo-se à expectativa de que, com a criação do Fundo Soberano do Brasil, o Tesouro passe também a comprar dólares no mercado para compor o fundo, assim como o Banco Central faz com as reservas internacionais brasileiras. Isso é o que ainda pode limitar a queda do dólar no mercado doméstico.