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| Alstom faz manobra e fica como vítima em acusações |
| Sex, 16 Mai, 12h01 |
A gigante francesa de engenharia Alstom, que está sendo investigada na França e na Suíça por suspeita de suborno, realizou uma manobra legal para se posicionar como vítima, juntando-se ao inquérito como co-autora da ação. Na semana passada, o jornal americano Wall Street Journal publicou matéria dizendo que ex-funcionários da Alstom haviam supostamente se apropriado de centenas de milhões de dólares dos fundos da empresa, entre 1995 e 2003, para pagar propinas e conseguir contratos na América do Sul e na Ásia. As investigações estão sendo conduzidas por promotores federais em Berna, na Suíça. Autoridades no Brasil também estão investigando possíveis irregularidades na concessão de contratos para a Alstom e suas subsidiárias no período. Documentos confidenciais da Alstom obtidos por promotores franceses mostram que funcionários da empresa no Brasil continuaram a criar fundos para suborno mesmo depois que a França criminalizou o pagamento de propinas no exterior, em 2000. Promotores acreditam que o dinheiro teria sido usado para subornar funcionários públicos e ajudar a Alstom a obter contratos em obras como a do Metrô de São Paulo e da usina hidrelétrica de Itá, entre os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Parte do dinheiro teria passado por contas de banco na Suíça e por contas de escritórios em Liechtenstein e na Ásia. Em muitos países europeus, a parte investigada pode ao mesmo tempo alegar danos e se juntar ao caso como autora da ação. Tal manobra pode dar à parte, entre outras coisas, acesso a alguns dos arquivos do processo. Esse direito, no entanto, pode ser suspenso caso a empresa seja acusada de um crime. "A Alstom se juntou à investigação como parte civil dentro de um procedimento legal em andamento na Suíça e na França ao qual o nome da companhia foi associado, com relação ao possível uso indevido de ativos da empresa em detrimento da Alstom", disse a empresa, em um breve comunicado divulgado hoje. A Alstom não foi apontada como alvo e vem negando que seja o foco da investigação. A empresa admitiu, porém, que seus escritórios foram vasculhados e que atuais e ex-funcionários da Alstom foram interrogados como parte do inquérito. No ano passado, promotores suíços pediram ajuda a seus colegas franceses na investigação de quatro homens suspeitos de lavagem de dinheiro, falsificação de documentos, apropriação indébita e pagamento de propina em nome da Alstom, de acordo com registros legais. O presidente da Alstom, Patrick Kron, afirmou que não tem conhecimento de nenhuma conta da empresa usada para o pagamento de propinas e que não conhece nenhum dos funcionários envolvidos. A Alstom, uma das maiores companhias da França, fabrica desde equipamentos para usinas até trens de alta velocidade. As informações são da Dow Jones.
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