SÃO PAULO, 18 de julho de 2008 - Um desabastecimento de carne bovina por conta da queda da produtividade é afastado por especialistas, que acreditam que o Brasil tem condições de restabelecer as condições do seu rebanho e continuar na dianteira da produção mundial. "A falta de carne no mercado é totalmente descartada, pois os produtores brasileiros vão buscar alternativas para melhorar a rentabilidade e retomar a escala de produção", avalia o professor de mercado financeiro da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite. Segundo a gerente do Sistema de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes, a aceleração dos preços desse produto por conta da queda na produção e a entressafra prevista para terminar em maio, não deve provocar um desabastecimento, mas pode contribuir para que o consumidor substitua a carne bovina por frango e suíno. "Se a carne ficar mais cara, a população pode procurar outra alternativa para levar à mesa. O frango pode ser uma opção já que o kilo custa cerca de R$ 3. Mesmo que a demanda pela ave aumente é possível elevar a produção rapidamente nas granjas, já que o ciclo do frango é mais curto que do bovino", aposta Eulina. No entanto, o presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte, da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira, alerta que o rebanho brasileiro precisa crescer bastante nos próximos anos. Ele aposta que em 2017 o consumo de carne no País será de 43,80 kg por habitante por ano, um aumento de 17,36% em relação ao que era consumido em 2007 (37,32 kg por pessoa). (Vanessa Stecanella - InvestNews)