SÃO PAULO, 4 de julho de 2008 - A piora nos indicadores de inflação nos últimos meses e a contínua deterioração nas expectativas vem reforçando as apostas de que o colegiado do Banco Central (BC) deve apertar mais a política monetária, podendo elevar a Selic em 0,75 ponto percentual. O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reúne nos dias 22 e 23 de julho para discutir o rumo da taxa de juro básico (Selic) do País, que atualmente está em 12,25% ao ano. O economista da Geração Futuro Corretora, Gustav Gorski, prevê uma elevação de 0,50 ponto nos juros na reunião do Copom deste mês e projeta uma taxa Selic de 14% ao ano, segundo o economista, desde quando a inflação começou a acelerar, o governo vem adotando medidas para conter a demanda. Além do aperto monetário que deve continuar nos próximos meses, o governo vai fazer uma economia adicional para depositar no Fundo Soberano. "E isso vai contribuir para uma redução na demanda agregada da economia e deve evitar um aumento maior nos juros", frisa Gorski. Por outro lado, os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI) negociados na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) seguem pressionados, e apontam para um ajuste de, pelo menos, 0,75 ponto para a Selic na reunião do Copom deste mês. As taxas respondem, além da inflação, o avanço das commodities, em especial o preço do petróleo, que não dá sinais de alívio. A ausência dos negócios nova-iorquinos levou os principais mercados domésticos a registrar fraco volume de negócios nesta sexta-feira. Hoje é feriado do Dia da Independência nos Estados Unidos. No segmento de renda fixa, o movimento foi de poucos negócios. O contrato DI de janeiro de 2010, o mais líquido, movimentou até o momento R$ 9,4 bilhões, com a taxa estimada em 15,47% ante 15,37% da véspera. (Maria de Lourdes Chagas - InvestNews)