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| UE se afasta de meta de biocombustíveis e visa acordo com Brasil |
| Sáb, 5 Jul, 14h40 |
Por Pete Harrison PARIS (Reuters) - Líderes de energia da União Européia
cogitaram um acordo com o Brasil sobre biocombustíveis neste
sábado, ao final de uma reunião de três dias em Paris, durante
a qual eles se afastaram da controversa meta de biocombustíveis
da região. Apesar de não terem realizado propostas de mudanças
concretas para a legislação de biocombustível, os ministros
afirmam que a UE falhou em comunicar apropriadamente seus
planos para fazer com que 10 por cento do combustível dos
transportes terrestres venham de fontes renováveis, como os
biocombustíveis, até 2020. O ministro do Meio-Ambiente francês Jean-Louis Borloo disse
que muitas pessoas entenderam erradamente que a meta
significaria 10 por cento apenas de biocombustíveis. Ele afirmou que a UE deixou claro que a meta também inclui
veículos elétricos recarregáveis, usando eletricidade verde ou
alimentados por hidrogênio --tecnologia em desenvolvimento que
apesar de não poder ser utilizada nos dias de hoje pode ter um
papel fundamental até 2020. Há 18 meses, os biocombustíveis pareciam uma idéia ótima,
mas seu valor agora não parece mais tão claro, acrescentou o
ministro. Ao se distanciar dos biocombustíveis, os ministros esperam
dissipar o crescente criticismo de que a meta está contribuindo
para o desflorestamento e está ajudando a pressionar os preços
dos alimentos --já que parte crescente da produção agrícola é
usada para fabricar biocombustíveis ao invés de alimentos. "Nós precisamos decidir se a meta pode ser mantida",
afirmou o secretário de Estado alemão Jochen Homann a
jornalistas. "Ela pode ser modificada". A França e a Itália também questionaram a meta na últimas
semanas e a Inglaterra está avaliando uma meta própria, baseada
nas metas da UE. Borloo afirmou que há amplo apoio à sugestão do parlamentar
da UE Claude Turmes que afirmou que a União Européia deveria
realizar um acordo bilateral com o Brasil para importar
biocombustíveis. Turmes, que está liderando a lei de energia renovável no
Parlamento Europeu, está pressionando para que as propostas dos
biocombustíveis sejam revistas para evitar efeitos prejudiciais
para as florestas e a biodiversidade. "Minha análise mostra que o único país de onde podemos
importar de forma sustentável, e em quantidades substanciais,
combustíveis agrícolas para a UE, no momento, é o Brasil",
disse Turmes à Reuters. "Tal acordo seria um teste, com critérios rígidos na
sustentabilidade e nos problemas sociais", acrescentou. "Ao
mesmo tempo, o Brasil teria que mostrar que está interrompendo
o desflorestamento."
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