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| UE recua de meta de biocombustíveis e visa acordo com Brasil |
| Sáb, 5 Jul, 15h51 |
Por Pete Harrison PARIS (Reuters) - Representantes do setor de energia da
União Européia cogitaram um acordo com o Brasil sobre
biocombustíveis neste sábado, ao final de uma reunião de três
dias em Paris, durante a qual eles se afastaram da polêmica
meta de biocombustíveis da região. Apesar de não terem realizado propostas de mudanças
concretas para a legislação de biocombustível, os ministros
afirmam que a UE falhou em comunicar apropriadamente seus
planos para fazer com que 10 por cento do combustível dos
transportes terrestres venham de fontes renováveis, como os
biocombustíveis, até 2020.
O ministro do Meio Ambiente francês, Jean-Louis Borloo, disse
que muitas pessoas entenderam erroneamente que a meta
significaria 10 por cento apenas de biocombustíveis. Borloo afirmou que a UE deixou claro que a meta também
inclui veículos elétricos recarregáveis, usando eletricidade
verde ou alimentados por hidrogênio --tecnologia em
desenvolvimento que apesar de não poder ser utilizada nos dias
de hoje pode ter um papel fundamental até 2020. Há 18 meses, os biocombustíveis pareciam uma idéia ótima,
mas seu valor agora não parece mais tão claro, acrescentou o
ministro. Ao se distanciar dos biocombustíveis, os ministros esperam
dissipar as cresces críticas de que a meta está contribuindo
para o desmatamento e está ajudando a pressionar os preços dos
alimentos --já que parte crescente da produção agrícola é usada
para produzir biocombustíveis em vez de alimentos. "Nós precisamos decidir se a meta pode ser mantida",
afirmou o secretário de Estado alemão, Jochen Homann, a
jornalistas. "Ela pode ser modificada.". A França e a Itália também questionaram a meta nas últimas
semanas, e a Inglaterra está avaliando um limite próprio,
baseado nas metas da UE. Borloo afirmou ainda que há amplo apoio à sugestão do
parlamentar da UE Claude Turmes que afirmou que a União
Européia deveria realizar um acordo bilateral com o Brasil para
importar biocombustíveis.
DESMATAMENTO Turmes, que está liderando a lei de energia renovável no
Parlamento Europeu, vem pressionando para que as propostas dos
biocombustíveis sejam revistas para evitar efeitos prejudiciais
para as florestas e a biodiversidade. "Minhas análises mostram que o único país de onde podemos
importar de forma sustentável, e em quantidades substanciais,
combustíveis agrícolas para a UE, no momento, é o Brasil",
disse Turmes à Reuters. "Tal acordo seria um teste, com critérios rígidos na
sustentabilidade e nos problemas sociais", acrescentou. "Ao
mesmo tempo, o Brasil teria que nos mostrar que está combatendo
o desmatamento." Turmes revelou à Reuters na sexta-feira que ele possui
amplo apoio parlamentar para propor mudanças na meta do UE,
passando este para 4 por cento, além de reduzir seu prazo para
2015. Um quinto dos combustíveis de fontes renováveis precisará
ser de uma segunda geração de biocombustíveis ou veículos
elétricos, e haverá uma grande revisão em 2015 para decidir se
é necessário aumentar a meta para 8 ou 10 por cento até 2020,
acrescentou ele. Um relatório da Agência Européia de Meio Ambiente divulgado
à Reuters mostrou que a UE pode conseguir apenas um terço da
sua meta com biocombustíveis produzidos na Europa, tendo que
recorrer à importação para atender seu objetivo.
A França, que tomou posse da Presidência rotativa da UE nesta
semana, anunciou as mudanças climáticas como uma prioridade.
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