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| Índios ameaçam matar operários de futura hidroelétrica na Amazônia |
| Ter, 3 Nov, 21h24 |
Rio de Janeiro, 3 nov (EFE).- Índios brasileiros de 14 etnias ameaçaram hoje empreender "ações guerreiras" e matar operários caso o Governo inicie as obras da central hidroelétrica de Belo Monte, que será licitada em dezembro. "Exigimos que o Governo cancele definitivamente a implementação desta central. Se decidir iniciar as obras de Belo Monte, haverá uma ação guerreira dos povos indígenas do Xingu", diz uma carta enviada hoje pelos índios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os autores da carta alertaram que, com estas ações, "a vida dos operários e dos índios estará em risco" e consideraram que a responsabilidade das vítimas recairá sobre o Governo federal. A primeira ação de protesto, empreendida hoje e sem data de conclusão, foi o bloqueio de uma balsa utilizada para atravessar o rio Xingu em uma zona onde uma estrada corta uma região do Mato Grosso, no limite da Amazônia. A carta, assinada por 212 líderes tribais, denuncia que o projeto de Belo Monte trará "consequências irreversíveis" para a região, o que é uma "violação dos direitos dos povos ancestrais do rio". Belo Monte vai ser construída à altura do município de Altamira, no Pará, terá uma potência de 11.233 megawatts e será a segunda maior do país, atrás apenas da de Itaipu, que o Brasil divide com o Paraguai. A represa vai inundar uma área selvática de perto de 440 quilômetros quadrados, o que afetará direta e indiretamente 66 municípios e 11 terras indígenas, forçando o deslocamento de dezenas de milhares de ribeirinhos cujas casas ficarão inundadas, segundo os planos de construção. O Governo marcou a licitação da central para 21 de dezembro, e calcula-se que exigirá investimentos de cerca de R$ 16 bilhões. O projeto de Belo Monte nasceu na década de 1970, mas foi bloqueado na época pela resistência dos grupos ambientalistas e de indígenas. Desde então, o projeto sofreu reformas estruturais para reduzir a área inundada em pleno coração da floresta amazônica, e permitir a circulação de peixes graças à construção de canais. Em maio de 2008, um grupo de indígenas feriu um funcionário da Eletrobrás durante um seminário oferecido às comunidades ribeirinhas do Xingu para explicar os impactos desta represa. EFE
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