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| ESPECIAL-Produtividade e meio ambiente aquecem mercado de pelota |
| Qua, 2 Abr, 19h03 |
Por Denise Luna RIO DE JANEIRO (Reuters) - A corrida para atender o forte
crescimento da demanda mundial por pelota, produto nobre feito
a partir do minério de ferro, está fazendo surgir novas
pelotizadoras no Brasil e no mundo, mirando mercados
promissores como China, Oriente Médio e Europa. Reconhecida como mais eficiente e menos poluente do que o
sinter, minério aglomerado por meio de cal e coque para
produzir aço, a pelota vem ganhando cada vez mais espaço na
preferência das siderúrgicas que desejam aumentar a
produtividade e reduzir suas emissões. Como efeito da maior procura, o preço da commodity --
ajustado normalmente dias após ao minério de ferro--, este ano
conseguiu apenas um ajuste até o momento entre a Vale e a
italiana Ilva, em percentual superior ao minério. Enquanto o
ajuste do minério variou entre 65 e 71 por cento nos contratos
da Vale, balizadora do mercado mundial, o preço da pelota terá
aumento de 86,67 por cento. Somente este ano, duas grandes plantas entram em operação
no país, uma da Vale, de 7 milhões de toneladas, em Itabiritos
(MG), e outra da Samarco, controlada por Vale e BHP Billiton,
em Ubu (ES), com o mesmo volume. A Vale programa uma oitava
pelotizadora no Espírito Santo, com capacidade para 7,5 milhões
de toneladas, que ficará pronta em 2010. Outras empresas como Usiminas e MMX também têm planos para
pelotizadoras, sendo que a da Usiminas está prevista para entre
2013 e 2015, com 7 milhões de toneladas. "O mercado siderúrgico continua forte, todo mundo quer
aumentar a produção e pelota é muito eficiente no alto forno, a
Samarco está entrando agora, depois entra nossa pelotizadora em
Minas, que já está ficando pronta. Fizemos também ajustes nas
sete pelotizadoras que temos em Tubarão", disse à Reuters o
presidente da Vale, Roger Agnelli. Fora do país, a Vale prevê uma pelotizadora em Omã, no
Oriente Médio, além de joint-ventures na China, como a de
Zhuhai, ao sul da país, com objetivo de atingir 10 milhões de
toneladas de pelotas por ano. As novas unidades vão se somar às
nove pelotizadoras da Vale no Brasil, que juntas venderam 40,8
milhões de toneladas de pelotas em 2007, aumento de 20 por
cento em relação ao ano anterior.
ORIENTE MÉDIO Às vésperas de inaugurar a sua terceira pelotizadora, a
Samarco, que exporta cem por cento do que produz, já pensa na
quarta unidade e vê no Oriente Médio um cliente cada vez mais
promissor. "O Oriente Médio agora está tomando uma proporção mais
importante para nós, por causa da demanda por pelota", disse o
diretor de operações da Samarco, Ricardo Vescovi, dando como
exemplo a necessidade de aço da região para infra-estrutura. Em 2007, o Oriente Médio ultrapassou todos os outros
clientes da empresa, comprando 28 por cento da produção,
enquanto as Américas ficaram com 15 por cento, China com 21 e
Europa com 17 por cento. Ele explicou que ao contrário do Brasil, a siderurgia do
Oriente Médio é baseada em redução direta, e não em alto-forno,
devido à abundância de gás natural. Na redução direta o carvão
geralmente usado no alto-forno é substituído pelo gás natural,
o que reduz o custo de produção, e normalmente se usa pelota no
lugar do minério, para aumentar a produtividade. A terceira pelotizadora da Samarco, investimento de 1,2
bilhão de dólares, será inaugurada no dia 18 de abril e vai
aumentar a oferta da companhia em 54 por cento, para 20,6
milhões de toneladas, elevando de 14 para 19 por cento a sua
participação no mercado mundial. "Já estamos com toda a produção vendida para as nossas três
pelotizadoras. Depois que a terceira entrar em operação, vamos
fazer o mesmo tipo de estudo e, se tiver espaço, temos muita
disposição de fazer (a quarta)", afirmou. A proposta da quarta pelotizadora já recebeu o ok do
Conselho de Administração da empresa para entrar na fase de
estudos. Já a Companhia Siderúrgica Nacional optou por construir
apenas pelotizadoras para consumo próprio e por atrair seus
clientes para produzir pelotas no Brasil, garantindo assim
mercado para os seus "pellets feed", um produto entre o minério
e a pelota. "Se você comparar quais são as margens que você obtém
vendendo 'pellet feed', as margens de pelotas são muito
menores", explicou o diretor-executivo da área de mineração da
CSN, Juarez Saliba. Ele informou que a empresa está conversando com outros
consumidores de pelotas fora do Brasil para construir
pelotizadoras no país, mas não revelou quais seriam os
possíveis parceiros, mas, segundo ele, "são de grande porte". Para convencer os futuros sócios o executivo conta, além do
volume e qualidade da matéria-prima brasileira, com apelos
ambientais visando o futuro da siderurgia. "Consigo convencer os outros pelo problema ambiental na
Europa, o sinter é uma das grandes áreas poluidoras dentro de
uma usina siderúrgica, e com as restrições ambientais ocorridas
na Europa, é mais vantagem para essas usinas fazerem
pelotização no Brasil do que reformar os alto-fornos por lá",
afirmou. "Acho que para a indústria de aço, a pelota é a matéria
prima do futuro, seja na produtividade, seja nas questões
ambientais", concluiu.
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